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Postado em 12 de Abril às 11h43

"Somos marionetes na mão do governo", diz representante dos empresários do comércio de MT

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Ele citou, inclusive, alguns casos em Mato Grosso em que os empresários precisam se desfazer do seu patrimônio pessoal para arcar com as contas

O presidente da Federação das Associações Comerciais e Empresarias do Estado de Mato Grosso (Facmat), Jonas Alves, afirmou em entrevista ao MT Econômico que os empresários estão sendo tratados como "marionetes" e ficam à mercê das decisões do governo, quanto aos decretos e medidas implementadas para conter a Covid-19.

Ele citou, inclusive, alguns casos em Mato Grosso em que os empresários precisam se desfazer do seu patrimônio pessoal para arcar com as contas do estabelecimento, como a folha de pagamento, custos operacionais e até despesas pessoais, para continuar sobrevivendo. Ainda, avaliou que em todo o estado, Cuiabá é a região em que o setor mais foi prejudicado.

"Na minha visão as nossas empresas são massa de manobra dos governos, tanto federal, quanto estadual e municipal. É uma coisa 'eu não consigo fazer isso, então eu peço para o empresário fechar a sua empresa'. Nós somos massa de manobra. Estão brincando conosco como se fossemos marionetes na mão do poder público. Amanhã você fecha uma empresa, você manda os 100 funcionários para casa e quem banca é você, não é o governo", disse.

Confira a entrevista na íntegra.

MT Econômico: Estamos há pouco mais de um ano em pandemia, qual é a sua avaliação sobre o impacto desse período nas empresas de Mato Grosso?

Jonas Alves - Facmat: Tem que separar os essenciais dos não essenciais. Os essenciais trabalharam e os não essenciais arranjaram maneiras de trabalhar, principalmente pelos meios eletrônicos, para conseguir continuar sobrevivendo. Nós temos setores como bares e restaurantes que tiveram um impacto muito maior. Eventos então, foi um setor que sofreu e foi atingido no coração. Turismo também. A própria hotelaria no início, pousadas, por exemplo, foram setores impactados. Eu falo que a gente tem que fazer vaquinha para salvar os setores de eventos e bares.

O governo não vai fazer nada, como de fato não está fazendo grande coisa. A gente depende desses setores, eles interligam a economia, fazem parte da nossa roda e precisam girar junto conosco. Nós, de alguma maneira vamos ter que trabalhar para que esses setores se salvem. O impacto foi muito grande, uma coisa imprevista, uma coisa inesperada e trágica para a economia tomo um todo.

MT Econômico: As empresas estão se desfazendo do seu patrimônio para arcar com as despesas ocasionadas pela crise da pandemia?

Jonas Alves - Facmat: As empresas que tinham alguma reserva de caixa já consumiram todo esse capital. Muitos empresários estão se desfazendo de patrimônio da empresa para continuar sobrevivendo, até para o próprio sustento, folha de pagamento, essas coisas que impactam e são necessárias. São obrigações que não tem como você postergar pagamento. Você tem que alimentar seus funcionários com recursos e que a vida deles também depende daquilo. Nós não temos hoje empresas com folga de caixa. A não ser alguns setores que de certa forma foram até favorecidos com a questão da pandemia, que são principalmente os essenciais, como alimentação e hospitalar, que está tendo demanda como nunca teve na vida.

MT Econômico: Essa estratégia forçada de dilapidar o patrimônio da empresa para poder se manter, extrapola também para o patrimônio pessoal?

Jonas Alves - Facmat: Não há dúvidas. Eu acabei de ouvir história de um microempresário que está sendo alimentado pelos amigos, porque não tem mais geração de renda para dar conta de sobreviver com seu sustento. O sustento dele e da família dele. Os amigos estão fazendo compra para levar para casa do cara sobreviver. Isso aqui em Cuiabá, Mato Grosso. O que a gente vê é que a dilapidação do patrimônio pessoal é automática. Não tenha dúvida disso. Nenhum empresário ?pisca? na hora de tomar uma decisão dessa. Se ele não tem mais patrimônio na empresa, se ele não tem folha, vai para o pessoal. Se ele tiver seja um carro, seja uma caminhonete, sem dúvida ele vai vender. O empreendedor é um cara que não desiste, ele vai continuar tentando empreender. Isso é um esforço imenso que se faz em um momento desse em que você queima todas as suas fichas de qualquer maneira, porque isso também depende da sua sobrevivência.

MT Econômico: Qual foi a região do estado mais impactada pela pandemia?

Jonas Alves - Facmat: Sem dúvidas foi a capital. O interior, graças a Deus, como é uma gestão menor e menos complexa foi menos impactada. As prefeituras das cidades menores formaram um comitê de crise, inclusive com o Ministério Público do Estado presente, com a Associação Comercial também presente. Houve esse diálogo e as coisas funcionaram, a economia funcionou e os empregos foram garantidos. Ficou mais fácil e não teve tanto problema. Na capital, principalmente no ano passado, o nosso prefeito [Emanuel Pinheiro] se fechou com a equipe e as decisões vinham direto de lá para cá. E aí muito erro se cometeu e muita injustiça se cometeu. Nós estamos sofrendo muito aqui na capital. Em Várzea Grande é menos até, mas também tinha esse impacto que foi muito pesado, e aí judiou muito dos setores econômicos do comércio e serviços principalmente.

MT Econômico: Atualmente esse diálogo da prefeitura com as entidades existe ou ainda está muito fechado?

Jonas Alves - Facmat: O prefeito [Emanuel Pinheiro] amanheceu o ano em postura diferente. Ele está tendo mais diálogo, conversando um pouco mais, mas a gente não entra nesse meio dele. Ele não se reúne antes conosco. Ele ouve, tenta, busca alguma informação, mas ele não abre uma conversa para dizer ?Olha, eu vou tomar uma decisão, queria falar isso para vocês. A minha linha está sendo essa. O que vocês acham? ?. Nós não estamos nesse estágio ainda, mas ele abriu conversa, disse que ia fazer isso. Disse que não iam publicar nada sem conversar conosco.

No dia em que tivemos reunião com o governador e que estava escrito na testa dele que iria decretar lockdown e ele propôs antecipação dos feriados, nós concordamos e aceitamos, porque o lockdown ia ser muito pior. Mas depois até ele teve que mandar para a Assembleia e nossas associações não quiseram e rejeitaram, mas aí veio o decreto impositivo que foi pior do que tudo.

MT Econômico: O decreto da prefeitura de Cuiabá foi mais brando do que o do Estado e flexibilizou a lista de setores considerados essenciais. Com isso, muitas empresas puderam abrir suas portas. Isso foi satisfatório para a classe?

Jonas Alves - Facmat: O prefeito Emanuel Pinheiro usou de uma estratégia que ele colocou no decreto dele que remete aos essenciais da lei federal. Essa lei federal é a base de tudo, inclusive para o Governo do Estado, do que é essencial e o que não é essencial. Acontece que o prefeito deixou isso aí na última linha, em um asterisco. Quando eu li, entendi que quem deveria fazer isolamento eram as pessoas acima de 60, os que estão contaminados e os que tiveram contato com os contaminados, o resto abre isso.

A gente tinha sugerido algumas coisas, mas ele não atendeu. Porque algumas lojas dos shoppings estão fechadas, como as grandes redes? Porque o decreto da prefeitura remete a lei federal, e a lei federal não abriga o funcionamento dos não essenciais. Empresas como shopping não abrem para não correr o risco de levar uma multa. As grandes redes sabem as consequências de levar uma multa pesada em cima disso. Os shoppings têm a responsabilidade, são 300, 400 lojistas que têm responsabilidade.

Fora a questão da imagem, porque aí vão dizer que tal shopping está descumprindo a legislação e estraga a imagem dele como referência de comércio, de seriedade, então ele não está disposto a isso. No entanto, quem tem uma loja na rua, está aberta, todas funcionando. Esse empresário está mais preocupado em sobreviver do que com o risco da imagem ou com a própria multa que a prefeitura talvez venha e aplique.

MT Econômico: A prefeitura editou decreto e determinou o escalonamento de funcionários na empresa e acrescentou mais 20 ônibus nas ruas. Esses impactos são positivos ou negativos? Pode prejudicar o custo operacional para conter a presença de menos funcionários trabalhando?

Jonas Alves - Facmat: O custo nós já estamos suportando todo ele, até do fechamento. O que a gente pode auxiliar? Pegar e fazer remanejamento da equipe, usar parte da equipe. Eles estão pedindo 30%, então fazer esse rodízio. Tem condição de contribuir mais ainda em cima das empresas que não são as responsáveis pela disseminação do coronavírus. Mais uma vez estão penalizando quem não deve.

Na minha visão, as nossas empresas são massa de manobra dos governos, tanto federal, quanto estadual e municipal. É uma coisa ?eu não consigo fazer isso, então eu peço para o empresário fechar a sua empresa?. Nós somos massa de manobra. Estão brincando conosco como se fossemos marionetes na mão do governo, e de todos os governos. Amanhã você fecha uma empresa, você manda os 100 funcionários para casa e quem banca é você, não é o governo. Qual é o esforço que o governo está fazendo? O esforço de fiscalização, para reduzir a questão das aglomerações.

A gente faz o nosso trabalho nas empresas, cumpre todo o protocolo. Mas o cidadão chega e relaxa. Na esquina encontra o vizinho, o compadre no boteco no final da tarde. E isso está disseminando cada vez mais o vírus e criando essa onda toda.

MT Econômico: Você defende a ideia de que empresas poderiam comprar as vacinas diretamente dos fabricantes para tentar melhorar esse avanço do percentual da população vacinada?

Jonas Alves - Facmat: Defendo, porque isso é liberdade. Nós vivemos em um país capitalista e democrático. Se você pode comprar 200 vacinas para a sua equipe e você tem capital para isso, então você compra 200 vacinas. Eu sempre parto do princípio da gente ajudar os mais próximos. Os outros mais próximos vão ajudando os outros e a gente cria uma onda que vai ajudar todo mundo. Então vamos ajudar quem está em volta da gente. Se dermos alimento, por exemplo, as coisas vão melhorando, o ambiente vai melhorando. Todo mundo tem que comprar vacina sem penalidade de ter que doar uma parte para o Ministério da Saúde.

Fonte: MT Econômico

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