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Postado em 14 de Novembro de 2019 às 08h15

Vendas no Natal devem movimentar R$ 60 bilhões na economia, estimam CNDL/SPC Brasil

Festividade vai mobilizar quase 120 milhões de pessoas nos principais centros
de compra. Cada presente custará, em média, R$ 125; lojas de departamento e
internet superam shopping center na busca por presentes


Mesmo com o orçamento apertado, a maior parte dos brasileiros não vai abrir
mão de garantir os presentes de Natal, a data mais importante para o varejo
tanto em volume de vendas quanto em faturamento. A conclusão é de uma
pesquisa feita em todas as capitais pela Confederação Nacional de Dirigentes
Lojistas (CNDL) e pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil). De acordo
com o levantamento, 77% dos consumidores devem presentear alguém
no Natal deste ano, percentual próximo aos 79% que fizeram compras na data
do ano passado. Isso significa que, acompanhando os passos da retomada
gradual da economia no pós-crise, aproximadamente 119,8 milhões de
brasileiros devem ir às compras este ano.

Considerando somente a aquisição de presentes natalinos, a injeção de
dinheiro na economia deverá ser da ordem R$ 60 bilhões
no comércio e
no setor de serviços, a cifra é próxima à soma do movimento estimado em
datas como Dia das Mães, Dia dos Pais, Dia dos Namorados e Dia das Crianças
deste ano, o que ajuda a ter uma ideia da magnitude da importância do Natal
para a economia do país.

De acordo com a pesquisa, 17% dos consumidores ainda não decidiram se vão
adquirir presentes e apenas 7% declararam abertamente não terem a intenção
de presentear terceiros. Entre aqueles que não pretendem presentear no Natal,
a principal justificativa é a falta de dinheiro (39%). Há ainda 15% de
entrevistados que não têm o costume e outros 15% que estão desempregados.

Na avaliação do presidente do SPC Brasil, Roque Pellizzaro Junior, a pesquisa
demonstra que a força simbólica e cultural do Natal se sobrepõe às
adversidades que os brasileiros ainda lidam com as finanças pessoais. O Natal
é o período mais aguardado do ano para consumidores e comerciantes e dá
indícios de que a disposição dos brasileiros para consumir está retornando,
ainda que aos poucos. Mesmo que a recente liberação dos recursos do FGTS vá,
principalmente, para o pagamento de dívidas, o comércio pode se beneficiar da
medida para novas vendas, pois esses consumidores estarão recuperando seu
crédito na praça. De modo geral, os dados comprovam que o hábito de
presentear nesta data é cultural entre os brasileiros e sobrevive mesmo quando
há dificuldades econômicas?, explica a Pellizzaro Junior.

37% dos consumidores acreditam que vão gastar mais com presentes
deste ano. Ticket médio é de R$ 125

Em média, os consumidores ouvidos pelo levantamento devem adquirir quatro
presentes. Já o ticket médio, ou seja, o valor a ser gasto pelo consumidor
com cada item comprado, será de R$ 124,99
, cifra que sobe para R$
143,26 entre os consumidores das classes A e B e cai para R$ 119,11, entre os
de mais baixa renda. Há, contudo, uma parcela considerável de 23% de
consumidores que ainda não se decidiu quanto ao valor a ser desembolsado.
De modo geral, a maior parte (37%) dos consumidores acredita que vai gastar
mais no Natal deste ano na comparação com 2018. A principal justificativa é o
fato de terem economizado ao longo do ano e, agora, se sentem com mais
liberdade para gastar (29%). Já 27% mencionam o aumento dos preços, fato
que acaba pressionando os gastos para cima e 26% que desejam comprar
presentes melhores.

Os que vão diminuir os gastos na comparação com o Natal passado somam
22% dos entrevistados, motivados pela necessidade de economizar (38%), por
estarem com o orçamento apertado (31%) ou por terem outras prioridades de
compra (15%).

72% dos compradores vão pagar presentes à vista. Para quem vai
parcelar, média será de cinco prestações

Neste ano, o pagamento à vista será o meio mais utilizado pela maioria
dos entrevistados ouvidos (72%),
seja em dinheiro (56%) ou no cartão de
débito (34%). Os que vão se utilizar de alguma modalidade de crédito somam
56% dos compradores, sendo que o cartão de crédito parcelado lidera, com
36% de menções, seguido do cartão de crédito em parcela única (20%) e do
cartão de loja (8%).

Para quem vai dividir o valor da compra em parcelas, a média é de cinco
prestações. Isso significa que quem comprar os presentes neste mês de
novembro ou dezembro, estará com a renda comprometida com prestações
pelo menos até os meses de abril e maio de 2020, respectivamente. Segundo
opinião dos próprios entrevistados que irão dividir o pagamento das compras, o
parcelamento é a estratégia que 44% dos consumidores usam para
conseguir comprar todos os presentes que precisam. Já 33% parcelam
para comprar presentes de melhor qualidade. O mesmo percentual de 33%
alega que parcela por hábito, mesmo tendo condições financeiras de adquirir os
presentes à vista, pois assim garantem sobras no orçamento.

Dividir as compras em grande quantidade de parcelas sem avaliar o peso no
orçamento pode atrapalhar o planejamento para o começo de um novo ano
livre das dívidas. Sempre que possível, o ideal é pagar à vista, evitando o
endividamento e procurando descontos. Mas, caso seja preciso parcelar, é
recomendável restringir o número prestações para diminuir o impacto dessas
compras no longo prazo?, orienta o educador financeiro do SPC Brasil, José
Vignoli.

86% vão pesquisar preço e internet será principal ferramenta de
comparação

Mesmo com a inflação controlada e abaixo da meta oficial, a maioria dos
consumidores tem a impressão de que os preços estão maiores em relação ao
ano passado. De acordo com a pesquisa, mais da metade (53%) acredita
que os valores praticados pelos varejistas subiram neste Natal.
Para 33%
os valores estão na mesma faixa, enquanto somente 5% acreditam em valores
mais baixos.

Na avaliação da economista-chefe do SPC Brasil, Marcela Kawauti, a percepção
dos brasileiros sobre preços elevado está relacionada à dificuldade para lidar
com o orçamento e manter as contas em dia. ?A inflação tem se mantido em
patamares baixos, mas o aperto financeiro e o desemprego elevado produzem
uma avaliação mais negativa. Muitas vezes se desdobrando para honrar seus
compromissos, o consumidor sente eu seu dinheiro não é o suficiente para
quitar as contas e fica com a impressão de que os produtos e serviços estão
custando mais caro, quando na verdade, o problema é a falta de renda?,
explica.

Quando falta dinheiro, uma boa estratégia para o orçamento render e garantir
todos os presentes é fazer uma pesquisa de preço. O levantamento mostra que
esse é um hábito comum para a maioria: 86% dos que vão gastar no Natal
pretendem pesquisar preços antes de concluir a compra contra apenas
6% que não veem importância nisso. Na busca por comparar as ofertas, a
internet se mostra como a principal aliada, já que 80% vão usar sites e
aplicativos para essa tarefa. Há ainda 70% que vão gastar sola de sapato
para encontrar boas ofertas, seja caminhando por lojas de rua (45%) ou em
estabelecimentos dentro de shopping centers (45%).

Lojas de departamento e internet superam shopping Center e comércio
de rua. Roupas permanecem na primeira posição do ranking

Por mais um ano as roupas permanecem na primeira posição do ranking
(58%) de produtos mais procurados para presentear no Natal. Em segundo
lugar ficaram os brinquedos (40%). Também merecem destaque perfumes e
cosméticos (34%), calçados (32%) e acessórios (25%). Livros (17%) e
smartphones (14%) completam o ranking.

Na hora de receber os presentes, os mais lembrados serão as mães (48%),
cônjuges (46%), filhos (40%) e sobrinhos (24%). No geral, o presente mais
caro será destinado, sobretudo, aos filhos (27%) e às mães (23%).
Quanto aos principais centros de compras, a pesquisa mostra que as lojas de
departamento mantiveram a dianteira e são a preferência de 41% dos
consumidores, empatadas com as lojas on-line, que teve o mesmo percentual.
Em terceiro lugar ficaram os shopping centers (37%), seguidos dos shopping
populares (24%) e das lojas de rua (22%). De modo geral, considerando os
que pretendem realizar compras on-line, 60% de todos os presentes serão
comprados pela internet, um aumento de seis pontos percentuais na
comparação com 2018.

O preço (54%) e as promoções (45%) figuram como os fatores que mais
pesam na escolha do local de compra, segundo os próprios entrevistados. O
atendimento também ganha importância, citado por 24%, mesmo percentual
de quem destaca a variedade de produtos.

Metodologia

Foram ouvidos 686 consumidores nas 27 capitais para identificar o percentual
de quem pretendia ir às compras no Natal e, depois, a partir de 600
entrevistas, investigou-se em detalhes o comportamento de consumo no Natal.
A margem de erro é de no máximo 3,7 e 4,0 p.p, respectivamente. A uma
margem de confiança de 95%. Baixe a íntegra da pesquisa em
https://www.spcbrasil.org.br/pesquisas

Fonte: SPC Brasil

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